David Schwartzman
Outono de 1996
(original aqui)
O fim da escassez, ao menos no que diz respeito às necessidades objetivamente definidas, só pode ocorrer em uma civilização planetária, dada a grande disparidade da condição humana no presente.
(...)
Após Chernobyl e o os altos custos da eletricidade a partir da energia nuclear, a opção nuclear parece pouco atrativa como base energética da civilização global. Mas que tal a energia solar? Eu defendo que o "comunismo solar planetário", canalizando o poder presente e futuro das tecnologias da informação e da energia renovável, é uma visão plausível da futura civilização global.
A transição dos combustíveis fósseis e da energia nuclear rumo à energia renovável, o "caminho suave" proposto por Amory Lovins, tornará possível uma economia global radicalmente nova, sustentável e crescente.
(...)
O comunismo solar também requer a realização plena da revolução da informação, o que permite o desabrochar da criatividade humana para todos. John Desmond Bernal ("World Without War", 1959) e outros da época previram o aumento da automação na indústria e no setor de serviços, guiada pelo computador eletrônico, o que teria o potencial de encurtar a semana de trabalho. Nós estamos hoje profundamente dentro dessa revolução tecnológica. Claro, seria ingênuo acreditar que as novas tecnologias da informação e a energia sustentável, por si mesmas, seriam suficientes para liberar o trabalho de forma igualitária no país e muito menos lá fora; esse é um desafio crítico para os movimentos socialistas e de trabalhadores do mundo. A criação desse tempo livre foi visto por Marx como fundamento necessário para o comunismo:
O livre desenvolvimento das individualidades — e, portanto, não a redução do tempo de trabalho necessário para instituir trabalho excedente, mas antes a redução geral do trabalho necessário da sociedade a um mínimo —, o que então corresponde ao desenvolvimento artístico, científico etc. dos indivíduos no tempo liberado, e com os meios criados, para todos eles. ("Grundrisse", aqui)
(...)

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